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03-05-2017

Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável

Uma educação para a sustentabilidade sendo um imperativo de cidadania deverá, necessariamente, emergir na sua plenitude social e institucional, a partir de uma reflexão estratégica alargada e de uma prática pedagogicamente consistente, ambientalmente responsável e socialmente comprometida.
Esta temática tem sido recorrentemente inscrita na agenda pública, nomeadamente pela Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o decénio 2005-2014, como a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (DEDS), tendo atribuído à UNESCO (e às respetivas Comissões Nacionais) a responsabilidade de delinear um Programa de Ação e incentivar a adoção de Planos Nacionais ajustados às especificidades, interesses e necessidades de cada Estado-Membro. Neste sentido, a Comissão Nacional da UNESCO (CNU) constituiu um Grupo de Reflexão para a DEDS que, sob a sua égide, elaborou um documento intitulado “Contributos para a sua Dinamização em Portugal”. No final da Década foi também criada a Plataforma Década EDS 2014+, que a Lisboa E-Nova integra, com a finalidade de implementar uma plataforma online, que identifique, reúna e disponibilize recursos e projetos criados a nível nacional. Esta plataforma está a ser atualizada pela CNU, seguindo as linhas orientadoras da Agenda Educação 2030 – Uma Nova Visão de Educação, que visa estimular e aprofundar, no decurso dos próximos 15 anos, uma ação em prol da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.
O Manifesto “Educar para o Ambiente e para o Desenvolvimento Sustentável: Para que a Europa passe à Ação”, que envolveu na sua elaboração mais de 150 atores de distintos países, entre os quais a Lisboa E-Nova, coloca-se na mesma linha conceptual dos textos UNESCO, quando refere, e cito: “…a Educação para o desenvolvimento sustentável, considera o ambiente de modo global e sistémico, nas suas dimensões temporais e espaciais; do modo de vida imediato ao ambiente planetário; no momento presente e no futuro. Abrange todas as problemáticas da vida quotidiana, nomeadamente as relacionadas com a água, a mobilidade, o consumo, a alimentação, os resíduos, o habitat, a energia, o clima, a biodiversidade, a solidariedade, a saúde… Interessa a todos, em todo o mundo e em todas as fases da vida, no âmbito da educação formal, não-formal e informal, das crianças mais novas aos adultos: nas escolas, nas universidades, no seio das associações e coletividades, nas empresas, nos meios de comunicação, na rua, por intermédio dos discursos e atos dos seres humanos responsáveis…”

Em Portugal, a Lei de Bases do Ambiente, aprovada em 2014, inscreveu como um dos princípios das políticas públicas de ambiente precisamente “…a educação ambiental, que obriga a políticas pedagógicas viradas para a tomada de consciência ambiental, apostando na educação para o desenvolvimento sustentável e dotando os cidadãos de competências ambientais num processo contínuo, que promove a cidadania participativa e apela à responsabilização…” Entretanto, o Ministério do Ambiente apresentou, em 2016, o documento intitulado “O Caminho para uma Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020”, que se encontra em discussão pública até 24 de maio. Este texto estabelece orientações gerais para a adoção de um compromisso nacional que promova: “a aquisição de conhecimentos, competências, valores e atitudes, com desígnio de sustentabilidade, que permitam uma cidadania ativa e ambientalmente culta.”
Convirá, ainda, sublinhar que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável não é apenas um “conteúdo pedagógico” mas um processo dinâmico, que se pretende reprodutivo e duradouro, que “… incentiva a mudança, a partir da própria mudança” (Graça Machel, Bona, 2009). Neste sentido, a sua dimensão pedagógica, nos termos do Manifesto Europeu, deverá assentar em três eixos fundamentais: aprendizagem pela ação; abordagem sistémica e parcerias múltiplas, sem esquecer a valorização e otimização das competências dos nossos professores e envolver um leque muito diversificado de entidades, protagonistas, conteúdos, metodologias e áreas técnicas.
Assim, para fazer face à complexidade dos problemas da contemporaneidade, a sociedade precisa que nos empenhemos em conferir competências e capacitar cidadãos para a análise crítica, a ação participativa e a criação de soluções inovadoras e sustentáveis.
Neste sentido, e à semelhança de outras iniciativas desenvolvidas pela Lisboa E-Nova na área da Educação para a Sustentabilidade, como os Projetos “Horta na Escola. Legumes no Prato” ou o “Escola + Eficiente” gostaríamos de destacar, pela sua especificidade e inovação, o Projeto Mochila Verde (2013/2017), dirigido a professores e alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico, de Escolas Públicas do Concelho de Lisboa. É uma experiência-piloto, com a duração de quatro anos, que tem como quadro de referência o contexto urbano, as temáticas ambientais, e energéticas e os valores de uma cidadania ativa visando, em última instância, motivar os mais jovens a descobrir Lisboa, conhecer a sua biodiversidade, desenvolver o interesse pela participação na vida coletiva e o gosto por estilos de vida sustentáveis.
A Mochila Verde, ou “eco-mochila”, é um indutor pedagógico de cariz ambiental, entregue aos alunos envolvidos no Projeto, e acolhe anualmente material didático diversificado, adequado aos seus níveis etários e escolares. Por outro lado, tem subjacente um programa de atividades complementares, com destaque para as “Saídas de Campo” (Parque Florestal de Monsanto; Quinta Pedagógica dos Olivais; Estuário do Tejo – Foz do Rio Trancão; Espaço a Brincar; Museu Berardo; Museu da Eletricidade, Jardim da Estrela e Quinta do Zé Pinto) e “Sessões Temáticas” em sala de aula, nomeadamente sobre aves, pesca sustentável, eficiência energética, biodiversidade urbana, alimentação sustentável… dinamizadas por especialistas da CML e da Lisboa E-Nova, entre outros. O livro “O Ambiente nas Nossas Mãos: 20 Ideias, muitos gestos…”, editado expressamente para este Projeto, em formato papel e digital, afigura-se como uma das suas “ferramentas” matriciais. Trata-se de um material de divulgação e formação, que suscita os jovens destinatários a descobrirem nomeadamente o meio que os rodeia e a internalizarem os valores da sustentabilidade. Os professores, para além das duas formações em educação ambiental para o desenvolvimento sustentável, organizadas com o objetivo da sua integração na temática, capacitando-os para a implementação de atividades pedagógicas neste domínio, receberam um kit com materiais de apoio, que visa complementar a implementação do Programa de Projeto elaborado pelos docentes. Foram ainda editadas fichas pedagógicas sobre diversos temas, a saber: Caderno de Campo; Um passeio à beira do rio Tejo; Parque Florestal de Monsanto; Porquê visitar um jardim; Diário Gráfico; Biodiversidade; Ninho recheado de Direitos; Áreas Protegidas; Eficiência Energética; Comportamentos saudáveis de mobilidade – a bicicleta; A Fauna na Cidade; Saldanha Salva os Oceanos e a Biodiversidade no Prato.
O projeto dispõe de uma página de internet, alojada na página oficial da Lisboa E-Nova.
Este é um dos projetos que visa também estimular uma cooperação estratégica entre sectores de atividade (públicos e privados), carreando contributos e saberes para a promoção de uma “campanha” de valores e práticas concretas de sustentabilidade ambiental, social e económica.
A Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável é, iniludivelmente, “…uma nova visão da educação que busca potenciar pessoas de todas as idades para assumirem a responsabilidade de criar e desfrutar de um futuro sustentável” (UNESCO, 2002).

 

Maria Santos

Administradora Lisboa E-Nova

 

capa livro ed especial

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